Freguesia de Granja do Ulmeiro - Soure
  
                               
Para satisfazer a sede de cultura dos seus visitantes, esta Freguesia tem para oferecer um património que é, essencialmente, uma herança cultural. Pode ostentar séculos ou milénios, mas deve sempre ser entendido como um conjunto de manifestações que emana dos mais diversos graus do conhecimento humano, gerado por múltiplas gerações que, à sua maneira, compreenderam a necessidade de transmitirem algo aos vindouros. 
 
O Património, passado ou actual, funciona sempre como a consciência unificadora de uma identidade histórico-cultural, como se pode verificar, visitando a Granja do Ulmeiro:
 
A Igreja Matriz que se apresenta como resultado das obras de ampliação e de restauração de uma antiga ermida dedicada a São Gabriel, mandada erigir pelo Infante D. Henrique em pleno século XV.
 
O retábulo do altar-mor é de talha dourada, datado de final do século XVII, possui duas colunas salomónicas (colunas lavradas em espiral) com parras e pesado sacrário ao centro. No fecho, o escudo nacional e a cruz dos padroeiros. No altar-mor podem-se ainda observar as imagens em pedra, de São Gabriel (padroeiro), do lado direito, e da Santíssima Trindade, gótica, do princípio do século XVI, do lado esquerdo.
 
O altar é de pedra, da segunda metade do século XVIII, de ornatos aconcheados.
Junto ao altar, e meio encobertos por ele, existiam dois baixos relevos de pedra do século XVII, com São Jorge a dominar o dragão e São Martinho a repartir a capa. Encontram-se actualmente, por iniciativa do Reverendo Padre Francisco Dias Ladeira, já falecido, à entrada da escadaria que dá acesso à porta principal da Igreja.
A capela lateral direita, dotada de um retábulo de madeira repintado, da segunda metade do século XVIII, mostra um grande relevo, representando São Miguel e as almas, tendo na parte alta a Trindade com a Virgem intercessora e um santo, da ordem dos eremitas agostinhos.
 
A capela da esquerda, de Jesus, foi instituída por Frei Pedro Álvares.
Em tempos existiu um Cristo crucificado, em madeira, de tamanho médio, datado do século XVII. 
 
Da mesma categoria e época, existiu uma Piedade de pedra, actualmente desaparecida.
 
Sob a mesa do altar, abrigam-se as figuras de uma deposição de Cristo, também do século XVII. 
 
São Gabriel Arcanjo, padroeiro desta Freguesia, foi encarregado de anunciar à Virgem que ela iria ser mãe de Jesus, filho de Deus. Goza a par de Nossa Senhora da Vida, de uma considerável veneração por parte de todos os Granjenses, que lhe dedicaram o seguinte hino, pela pena de António Nobre de Carvalho:
  
Aonde vais assim romeiro
Airoso no teu corcel?
Vou à Granja do Ulmeiro
Altar de S. Gabriel
Vou à terra engrandecida
Que ostenta a protectora
Nossa Senhora da Vida
Virgem Mãe, Nossa Senhora
S. Gabriel, Anjo de Luz
Desta mensagem és portador
Serás, Maria, Mãe de Jesus
De cristo rei, Nosso Senhor
E agora Orago da nossa Terra
Anjo Eterno, da Anunciação
A tua glória, na Granja encerra
Esp’ranças, bênçãos, fé e perdão.
  
A Capela de Nossa Senhora da Vida, hoje em posse dos sucessores da família de D. Raquel de Piedade Gonçalves Mendes, é um pequeno templo, envolvido pelo casario circunvizinho, cuja data de construção por Frei Pedro Alvares, reporte aos finais do século XVII. Completamente alterada da sua natureza original, encontra-se, actualmente, incaracterística.
 
Na sua frontaria pode observar-se um escudo do século XVII, com os cinco cotos de asas dos Abreus, chapéu eclesiástico de três ordens de borlas.
  
No seu interior, o nicho retabular, seiscentista, secundário, abriga uma escultura da Virgem com o Menino, envolta em tecido, parecendo ser de pedra e daquela época.
O Cruzeiro de coluna dórica, datado de 1613 e reconstruído em 1910, encontra-se levantado em frente da Igreja Matriz.
 
No chanfro da base há letras do tipo popular, só legíveis em parte e que pertenciam à frase “(O crux... qual) sola digna/fuisti (portare talentum mundi)”.
Os pequenos oratórios, em pedra ou em cimento, que se erguem ao ar livre, por esses caminhos fora, são um dos motivos mais originais da arte popular portuguesa. De grande cariz religioso são construídos em memória dos defuntos.
No seu interior, abrigam painéis pintados com a imagem do Purgatório onde as almas desnudadas, se contorcem no meio das labaredas.
A esse tabernáculo de pedra, encimado por uma Cruz, dá-se o nome de Alminhas, diminutivo carinhoso que o povo encontrou para melhor expressar o afecto e a saudade que nutre pelos seus defuntos.
Embora seja, no Norte, que esse culto se encontra mais divulgado (na maior parte das suas igrejas pode-se observar a reprodução artística do Purgatório, iniciada em finais do século XVI) foi, no entanto, a partir do século XVIII, que o Culto das Almas proliferou por todo o País. Curiosamente, no Sul, são quase inexistentes.
Como documento dessa arte e culto populares, na Granja encontram-se dois exemplos centenários que, embora em estado de abandono, são ainda marcos vivos dessa religiosidade tão antiga. Um desses exemplos, encontra-se na encruzilhada da Estrada Larga com a Rua da Boa União, em forma de capela, cujo nicho se encontra incaracterístico por ausência de painel das “almas”. O outro é composto por um bloco de pedra com nicho na parte superior, hoje danificado, apresentando vestígios de onde teria estado aparafusado o pequeno retábulo. 
Datado de 1897, encontra-se na berma junto ao campo que confina com o Casal dos Galegos, talvez para protecção das searas.
 
Colocados sempre em locais estratégicos, como bermas de caminhos, encruzilhadas, entrada de pontes, à beira dos campos, eles aí estão como memórias vivas dessa cultura de antanho.
 
Reconhece-se ainda, na localização de alguns destes monumentos, uma razão ancestral de índole mágico-religiosa que levava as pessoas a construir as Alminhas nas encruzilhadas dos caminhos. A tradição indica que esses locais eram centro de reunião de entes sobrenaturais, como bruxas, diabo, feiticeiras e lobisomens.
Para neutralizar esses génios maléficos, opunha-lhes o povo o altarzinho das Almas iluminado com uma candeia de azeite.
 
No entanto, esse culto primitivo e pagão foi orientado, pela Igreja, no sentido de, através de esmolas e orações se contribuir para o alívio e salvação das almas do Purgatório. É por isso que, junto destes nichos, se encontram legendas muito curiosas que apelam à obrigação que os vivos têm de rezar pelos seus mortos e da sua condição de viadores efémeros deste Mundo. São disso exemplo, os versos seguintes:
  
Numas ”Alminhas” da estrada
Nunca passes sem rezar,
Talvez um dia precises
Das preces de quem passar
Em frente dumas “Alminhas”
Não há decerto ninguém
Que não recorde saudoso
As almas que Deus lá tem


    • Autarcas
    • Geografia
    • Demografia
    • Serviços
    • Resenha
    • Heráldica
    • Património
    • Padroeiro
                  
Copyright © Todos os direitos reservados. Proíbida a reprodução na totalidade ou em parte, sem prévia permissão por escrito da junta de Freguesia.

38034 visitas até ao momento.

Balcão virtual | Notícias | Proximidade | Contactos